segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL E A TEORIA DA ATIVIDADE





A TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL E A TEORIA DA ATIVIDADE

Cláudia Helena dos Santos Araújo[1]


            A teoria histórico-cultural tem seu surgimento marcado pelo marxismo. Desta forma, é essencial que se realize uma retomada histórica e filosófica.
            A teoria marxista, observada em seus aspectos fundamentais, tais como a concepção materialista dialética da realidade, apresenta a visão de kark Marx (1818-1883), que teve sua obra determinada por fatos políticos, econômicos e históricos do contexto em que vivia. Esse momento, fortemente marcado pelo impulso desenvolvimento do capitalismo, é caracterizado por intensas mudanças na classe dos trabalhadores, que lutavam por transformações de cunho socialista. Essas reivindicações não eram favoráveis à burguesia, que sugeria transformações menos radicais. A partir desse contexto, a obra marxista se desenvolve, analisando o momento histórico, econômico, político e filosófico.
            A concepção marxista de homem remete a um ser que atua consciententemente sobre a natureza. É um homem que procura construir a si mesmo e satisfazer suas necessidades a partir da construção objetiva que realiza do mundo. Os homens se relacionam com a natureza, de onde se extrai os meios de produção e os objetos de trabalho, e se relacionam entre si, mediante as relações sociais de produção. Essa relação com a natureza se faz a partir do momento em que o homem extrai da mesma, os seus meios de produção e seu objeto de trabalho. Nessa conjuntura, o homem estabelece relações sociais com outros homens, criando a organização do trabalho. É o que chamamos de infraestrutura. Conforme Rosa e Andriani afirmam

 “juntamente com esta infra-estrutura desenvolve-se um conjunto de idéias que a expressam e servem para a reprodução do sistema. Este conjunto de idéias corresponde à superestrutura da sociedade, isto é, sua instância política e ideológica” (2002, p.262).

            Desta maneira, entende-se que a infraestrutura determina a superestrutura, ou seja, os homens são movidos pelas relações sociais, políticas e produtivas que estabelecem. Percebe-se o homem como produtor de bens materiais, de relações sociais, de conhecimento e de si mesmo.
É interessante afirmar que nessa perspectiva dialética têm-se como base da sociedade, as condições materiais reais que preexistem. Conforme a concepção materialista dialética da realidade “os fenômenos são constituídos e transformados a partir de múltiplas determinações que lhe são constitutivas... Concebe-se a realidade como matéria, havendo primazia do Ser sobre o Pensar” (Kahhale, 2002, p. 264).
            Chegando ao ponto necessário de nossa visão da teoria histórico-cultural e da teoria da atividade, é pertinente compreender em que consiste o processo de produção do conhecimento. Conforme a concepção analisada, este deve partir do real, gerando um movimento de transformação dialética que tem como prioridade a transformação e emerge a partir do princípio da contradição. Desta maneira, a produção do conhecimento ocorre a partir do real. Assim, tem-se a dialética como método de produção do conhecimento.
         A psicologia sócio-histórica surge no início do século XX, na União Soviética. É uma vertente teórica da psicologia fundamentada na concepção materialista dialética, tendo como base de suas proposições o conhecimento do homem e  sua subjetividade. Dentro dessa produção, destaca-se: Vygotsky (1896-1934), Luria (1902-1977) e Leontiev (1903-1979).
            Entender o seu processo de surgimento é de grande relevância para a compreensão de todo o estudo. Vygotsky propôs a construção de uma psicologia guiada pelos princípios e métodos do materialismo dialético. A sua obra é marcada pela concepção marxista de homem e realidade. Assim, Rosa e Andriani explica que “O homem constrói a si mesmo nas relações que estabelece com a realidade, na medida em que é determinado por esta, atua sobre ela e a transforma” (2002, p. 267). Luria e Leontiev continuaram sua produção teórica e a partir de então, conhecimentos foram se formando e solidificando bases teóricas no âmbito da Psicologia voltada ao materialismo-histórico. Os conhecimentos que foram e estão sendo construídos nessa vertente utilizam diferentes nomenclaturas para denominar a psicologia voltada ao materialismo-histórico. Alguns nomeiam como Psicologia Histórico-Cultural e um grupo de pesquisa da PUC/SP denominam como Psicologia Sócio-Histórica.
            A psicologia sócio-histórica fundamenta-se na concepção de homem como um ser histórico-social. O eu social é o homem que se constrói socialmente pelas relações. Ela ainda explica que a atividade humana permite que o indivíduo desenvolva a consciência (principal categoria de estudo da Psicologia Sócio-Histórica), apropriando-se da história e do seu objeto, inserindo-se no mundo das relações sociais, apropriando-se da linguagem como instrumento (signo). Desta maneira,
“a significação é construída na esfera social, de maneira que sua internalização dependerá da mediação externa, da relação com o outro. A transformação do social em subjetivo se dará sempre em um universo interpessoal, que se transforma em intrapessoal e intra-subjetivo...” (Rosa e Andriani, 2002, p.274/275).

            No que pertine aos fundamentos da metodologia científica conforme preceitos da psicologia sócio-histórica, Vygotsky desenvolve a necessidade de pensar questões relativas ao método de produção do conhecimento. Utiliza o método dedutivo no processo de conhecimento do homem. Ou seja, parte-se do geral para o particular. Desta maneira, tem-se como características do processo de produção do conhecimento: a construção de ideias a partir do momento empírico, a singularidade e os processos de relacionamento na produção do conhecimento, em que um constrói o outro.
            O pesquisador realiza variadas ações na compreensão dos dados, podendo desenvolver a pesquisa ação – onde o pesquisador insere-se na realidade ou grupo a ser estudado e trabalha junto com o grupo, tornando-se parte da totalidade –, e a pesquisa participante - há um plano de ação/intervenção organizado previamente pelo pesquisador, que o aplica como proposta e utiliza como instrumento no desenvolvimento de sua pesquisa.
            A partir da compreensão realizada sobre a perspectiva histórico-cultural, entende-se sua relevância na formação de um homem de consciência integrada e com práxis transformadora.
            O principal conceito desenvolvido na perspectiva histórico-cultural é o de atividade. Analisando sua origem, tem-se a noção da importância que tal conceito desempenha na psicologia soviética. A atividade é entendida como a base que explica a formação da consciência.
            A psicologia histórico-cultural foi influenciada por duas tendências, a saber: tendência da psicologia russa e da psicologia soviética. Nessa última, por conseguinte, destaca-se a filosofia marxista. E aponta-se uma relação que explica o processo interpessoal do ser humano, que por suas relações externas, transforma-se em intrapessoal. Ou seja, do interpsicológico para o intrapsicológico. Tal relação é notada a partir do esquema objeto  ó atividade ó sujeito, explicado pelo processo de construção da consciência a partir do meio externo para o meio interno, mediado pelas relações estabelecidas com outros seres. Essa psicologia foi aclamada como desenvolvimental. E como afirma Kozulin “ao chamar sua psicologia de ‘desenvolvimental’ (geneticheskii – desde a gênese), Vygotsky quis indicar muito mais do que uma mera análise do desdobramento do comportamento na ontogênese” (2002, p.118).
            As funções mentais abrangem as funções mentais inferiores e as funções mentais superiores. Vygotsky explica essas funções realizando uma distinção entre elas e apontando as funções mentais inferiores como capacidades de memória, percepção, entre outros e, funções mentais superiores, como a transformação dessas capacidades em um patamar mais avançado de desenvolvimento para o ser humano.
            Assim, a compreensão das funções psicológicas superiores abrange o estudo da linguagem em sua relação com o pensamento. E nessa retórica, Vygotsky aponta a transição do discurso egocêntrico para o interior.
            Na obra de A. N. Leontiev, o conceito atividade surgiu  em 1947. Ele apontava que no processo da atividade humana, um objeto perde sua naturalidade e emerge como resultado de experiência coletiva.
            Assim, são vários os teóricos que discutem o conceito de atividade apresentado por Vygotsky e Leontiev. Porém, conclui-se que esses estudos e pesquisas levam-se a um grande avanço para a psicologia em geral.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Rosa, Elisa Z. e Andriani. Ana G. P. Psicologia sócio-histórica: uma tentativa de sistematização epistemológica e metodológica. In: Kahhale, Edna M. P. (org). A diversidade da psicologia – Uma construção teórica. São Paulo: Cortez Editora, 2002.
Kozulin, Alex. O conceito de atividade na psicologia soviética: Vygotsky, seus discípulos, seus críticos. In: Daniels, Harry (Org.) Uma introdução a Vygotsky. São Paulo: Edições Loyola, 2002.




[1] Doutora em Educação (PUC Goiás). Professora e Pesquisadora no Instituto Federal de Goiás (IFG). Membro Grupo de Pesquisa KADJÓT. Email: helena.claudia@gmail.com

CITAR AUTOR AO UTILIZAR ESSE ARTIGO (DIREITOS AUTORAIS).

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Uma vida de meia-noite

Começo exatamente (exato mesmo) com o poema Relógio de Vinícius de Moraes:

Passa, tempo, tic-tac
Tic-tac, passa, hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora
Passa, tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora
Que já estou
Muito cansado
Já perdi
Toda a alegria
De fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
Tic-tac
Tic-tac
Dia e noite
Noite e dia

Bem assim...Todos os dias são passados da meia-noite. E um tal de tic-tac controla todo o tempo, dia e noite, noite e dia. Mais não permita que ele leve sua alegria.



sexta-feira, 31 de julho de 2015

Quem disse, disse o que?

Quem disse que temos que sermos sempre os melhores. Afinal, ser melhor é um conceito tão subjetivo que pode equivocar até o próprio dicionário.
Ser feliz? Quem disse? Disse o que mesmo sobre felicidade? Ela está em nós. No que fazemos. Na semente que plantamos e na colheita que realizamos. Na gratidão que se coloca diariamente em nossa face e que esquecemos de dizer: sou grato!
É que o famoso TEMPO nos diz tudo que devemos fazer. Quem disse que precisamos ser controlado pelo tempo? O que disseram sobre o tempo? Será ele tão valioso quanto os momentos vividos? Precisamos dele como um oráculo, mas para a paz, para o amor, para viver.
A cada dia parece (forte impressão) que temos uma ampulheta monitorando nosso tempo, nossos afazeres, nossas escolhas. 
Espera aí! Quem disse que devem e o que devem escolher para sua vida?
Ah...
Percorra seu próprio mapa. Diga sim e diga não. Peça aos elementos tempo, escolhas, felicidade para dar  licença que agora quem manda é você. Ninguém mais. 
Acredite e lute por seus sonhos, mas não seja escravo deles. Chega um momento em que eles perdem o sentido, simplesmente porque perderam a beleza das conquistas. 
(...)
Pausa para respirar! Acho que aqui falei do próprio autor.
(...)
Voltando...




terça-feira, 7 de julho de 2015

Des(ENCANTO)





Como pode o encanto tornar-se desencanto?
Não sei.
Certa vez uma criança disse que a flor era tão bela
Que o sol era tão iluminado
E que a lua era tão brilhante
Pensei: Como ela percebe tantos detalhes singulares?
Então, me dei conta que a vida se colore, se preenche da forma como a colocamos.
A consonância musical varia conforme o sim e o não.
A lista de músicas vai conforme o coração.
O desejo é sim um grande elemento da vida.
Move os objetivos, eleva a motivação.
Alcança resultados
E ainda faz enxergar o brilho aonde é opaco.
O olhar de um adulto deveria ser como o de uma criança.
Um adulto não deveria crescer.
Deveria sonhar.
Cultivar.
Alimentar seus amores.
Viver,
Sem temer.
Fazer escolhas atemporais.
Viver com a inocência de uma criança,
Mas com a malícia de quem precisou crescer.

Por Cláudia Helena dos Santos Araújo

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Que marca tem seu coração?

Frase boa para um longo dia de trabalho: me vejo pensando sempre sobre as atividades atuais. Tenho sonhos (e devaneios) de acreditar que nos corações existem apenas bons sentimentos.
O meu desejo para a vida de todos é que vivam bem, lutem por seus sonhos...
Mas sinto que a natureza humana induz o ser a desejar o contrário.
Deseje o bem! O resto é bem consequência. 

segunda-feira, 25 de maio de 2015

E na Avenida Paulista...Minhas fotografias!

Encontro de amigos no BETT BRASIL EDUCAR 2015

Palestrando no BETT BRASIL EDUCAR 2015

Uma foto publicada por Cláudia (@claudiahelena30) em

sábado, 16 de maio de 2015

III WEBINAR - GETED

Estou muito feliz em participar do III WEBINAR!
Obrigada a todos que participaram, aos amigos, alunos, ao convite da Profa. Katia Godoi, da Cristina Lima Paniago, e demais membros do GETED. 
Espero estar, novamente, com vocês, aprendendo e trazendo outras possibilidades de diálogos nas relações entre tecnologias e educação. Muito feliz! #WEBINAR #GETED #educação #tecnologiasdigitais #souprofessora 

quarta-feira, 13 de maio de 2015

ENFORSUP e I INTERFOR - Encontro Internacional sobre a Formação Docente para a Educação Básica e Superior

Estudar é preciso! 

Já estou aqui no VI ENFORSUP e I INTERFOR - Encontro Internacional sobre a Formação Docente para a Educação Básica e Superior, na UnB. 

Eu e Profa. Joana Peixoto apresentaremos nossa pesquisa sobre "A constituição político-pedagógica no cenário da educação a distância e docência online". #estudarépreciso #amoestudar #souafavordaeducação #souprofessora #soupesquisadora #VIENFORSUP #IINTERFOR #IFG #KADJÓT

terça-feira, 21 de abril de 2015

DIFERENÇA ENTRE SÍNTESE, RESUMO E RESENHA

Se você, caro estudante, quer saber a diferença
entre uma síntese, resumo ou resenha.
É bem mais fácil do que você pensa,
não é preciso que o professor intervenha.
Para se escrever um texto, não é necessário sofrer,
basta ler muito, para ter sobre o que discorrer.
Síntese de uma obra é uma análise mais resumida,
que recompõe a ideia central da obra discutida.
Uma resenha pode ser puramente informativa,
quando apenas expõe o conteúdo do texto tratado.
É crítica, quando se manifesta sobre o valor da  narrativa,
e o resenhista expõe as suas ideias sobre o texto estudado.
O resumo de um texto exige uma minuciosa leitura,
para que o aluno faça uma completa assimilação
e discorra com palavras de sua própria escritura,
porém fiel às ideias do autor, o que mais lhe chamou a atenção!
           Profa. Esp. Izildinha  Aparecida Almeida Porto

Flores, flores...Minhas fotografias!

E no meio das cores, surgiu o amarelo da esperança e da luz. #nofilter #fotografia #flores #flower

Uma foto publicada por Cláudia (@claudiahelena30) em

Além de você...Minhas fotografias!

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Aula sobre patrimônio no Museu Histórico de Anápolis



Nossa aula hoje sobre patrimônio histórico material e imaterial no Museu Histórico de Anápolis. 

Fica o convite à todos para visitarem nosso museu 😃 #nofilter #museuhistóricodeanápolis #cultura @vivaanapolis #SecEscolar #IFGAnapolis @ifg_oficial

domingo, 5 de abril de 2015

A pessoa com autismo tem direito a estudar em escolas regulares.



A pessoa com autismo tem direito a estudar em escolas regulares. Uma das questões que sempre pondero é a respeito da ausência de professores que sejam formados para atuar com as especificidades do autista. E o mais grave  não temos professores suficientes nem escolas adaptadas para recebê-los. Essa se torna questão de luta por garantia dos direitos já existentes dos autistas e outros. #questãodeinclusão #incluirdeverdade #ministériodaeducação #autismo #blueday

Seja você tem uma VOZ para o AUTISMO


O autismo é um transtorno de desenvolvimento que compromete as habilidades de comunicação e interação social. 
Ascenda você também uma luz para o autismo e divulgue esse movimento! 
Convidamos a participarem do movimento do Dia Mundial de Conscientização do Autismo.  Vista seu tom azul, tire sua foto e divulgue esse movimento. Vamos juntos! 
#2deAbril #DiaMundialConscientizaçãoAutismo #Conscientize #OlheMaisAlém #NovasPossibilidades #DayBlue #SecEscolar #IFGAnapolis #nofilter 

terça-feira, 24 de março de 2015

Minhas fotografias 1

Contracenando com a natureza, expressão das cores e vivacidade animal da Issa.  By @claudiahelena30