domingo, 31 de maio de 2026

E o que é a formação humana?

Mas o que é a formação humana? O que é se formar professora, professor, pesquisadora, pesquisador? O que é se formar gente?

Formar-se gente é compreender que não precisamos estar sentados nos bancos escolares, nem restritos às dimensões formais de ensino, para reconhecer que a questão de gênero é profundamente importante. Não é necessário, somente, abrir um livro ou seguir um roteiro descritivo-analítico para compreender a misoginia, os machismos ou ambos, tantas vezes enlatados em falas que não são apenas preconceituosas, mas também violentas em sua estrutura.

Não é necessário dominar todos os títulos conceituais sobre raça para compreender o que configura crime de racismo. Não é necessário abrir um dicionário desses gigantes epistemológicos para entender que retirar a carga de preconceito de uma fala, chamando-a apenas de “injúria”, também pode ser uma forma de preservar o próprio preconceito.

Não é necessário compreender métricas, buscar dados quantitativos ou recorrer a grandes levantamentos para perceber que a educação, muitas vezes, se faz de forma injusta e precarizada; e que ela lesiona justamente aqueles que já foram lesionados por um conjunto de políticas que sequer se aproximam daquilo que chamamos realidade escolar.

Quando lemos, estudamos, discutimos, dialogamos e tentamos ler o mundo hoje, compreendemos muito mais pelas contradições. Embora, sinceramente, desejássemos não precisar de tantas contradições para realizar uma análise concreta e além da caótica, de um fenômeno.

Quando me vejo formando professores e pesquisadores, pergunto-me: será que eles conseguem perceber, para além das maldades explícitas, as falas conflituosas que carregam, sim, conceitos científicos embutidos? Será que conseguem reconhecer o que vem enlatado, travestido de simples opinião?

Veja bem: não é apenas uma opinião. É uma leitura de gênero, de raça, de classe, de pequenos poderes e das formas como esses poderes se perpetuam no cotidiano.

Acho que ainda temos — ainda, ainda e ainda — muito trabalho pela frente.


É isso! 

Profa. Cláudia Helena Araújo 

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